domingo, 30 de agosto de 2009

O grito (Edvard Munch)
Esse quadro tem tudo a ver com a vida de um criminólogo. Cada um tem a sua interpretação do quadro e da própria realidade criminal que nos cerca. Não sei. Em 2008 estive de frente ao quadro em Oslo, Noruega. Sentei no banco ali perto dentro do museu e fiquei olhando e refletindo sobre um monte de coisa. Fiquei meia hora parado e "viajando". Sua cabeça gira. É a minha vida, trabalho, a vida dos outros, o que faço, o descompromisso de muitos, a vaidade de outros, o sentimento de autosuficiência da maioria dos penalistas, ideologias etc. Quando se analisa o sistema criminal vem o sentimento de angústia retratado no quadro; quanto sofrimento para os acusados, para as vítimas, promotores, juízes, poliiais e advogados. Não tem jeito, a angústia é nossa companheira no dia-a-dia. Não existe apenas o "Direito Penal Simbólico", o Estado não investe nas períciais criminais, paga mal aos policiais, continua nessa "onda" de entrega de viaturas, mostra "estatísticas" etc, não faz quase nada para mudar a estrutura do sistema, tudo é simbólico.  Promotores, juízes, policiais  e advogados criminais são transformados em "parafusos" dessa grande "engrenagem', que não funciona. Conversei com um defensor público na sexta-feira e ele me conta uma estória parecida com a minha; converso com outro profissional da área jurídica que pergunta "o que não está funcionando?". Bem, olho meio atônito. Não é possível, alguém ainda acha que está tudo normal. Relembro da imagem de Munch, agora sou eu que me vejo ali na gravura. Esse quadro simboliza para mim a angústia do criminólogo ao olhar para o sistema criminal brasileiro.

2 comentários:

Anônimo disse...

O TRISTE É QUE A MAIORIA NÃO ESTA NEM AI, NAO SAO POUCOS, NAO ESTAO NEM AI COM OS PRESOS E NEM COM AS VITIMAS, UM ABSURDO!

Anônimo disse...

mandou bem, profis.